Memória muscular: o que é e como ela ajuda no processo de recuperação da massa muscular

Memória muscular: saiba o que é e por que ela pode ser uma poderosa aliada na volta a rotina de treinos.
Quem nunca enfrentou um momento de pausa na prática de musculação? Os motivos são diversos: faculdade, trabalho, família. Com o fim do período de férias, muita gente resolve voltar à ativa.
Quando voltamos “com tudo” a ativa, logo percebemos uma rápida retomada nos níveis de força e, principalmente, nos níveis de massa muscular.
Aquilo que você demorou anos para atingir, enquanto iniciante, é rapidamente recuperado em poucas semanas de treino e alimentação adequada.
Por que isso acontece? Quais são os fatores fisiológicos envolvidos neste processo? É isso que iremos entender agora!
O que é memória muscular?

Para que possamos entender o que é memória muscular, primeiramente é preciso entender do que são constituídos os tecidos musculares e como ocorre seu processo adaptativo.
Os tecidos musculares são formados por inúmeras células, constituídas de núcleos, denominados miócitos. São os núcleos existentes nestas células que controlam o ganho de massa muscular.
Por isso, quando realizamos exercícios físicos que exigem mais dos músculos, novos núcleos são criados, com o objetivo de gerenciar esta exigência, promovendo assim o crescimento muscular.
Quando uma pessoa, já habituada a prática de exercícios de força como, por exemplo, a Musculação para de treinar por um período, a massa muscular diminui, mas a quantidade de miócitos (células que constituem os músculos) continua a mesma.
A isso damos o nome de memória celular e é por causa dela que quando voltamos a treinar, ganhamos massa muscular de maneira mais rápida.
Não é fácil recomeçar, porém, ainda assim é mais fácil se comparado, por exemplo, as primeiras semanas de treino de um iniciante.
Porém, é importante ressaltar que o ganho em menor espaço de tempo não se deve exclusivamente a memória muscular, mas também a afinidade com os exercícios e sua execução.
Memória muscular: ganhos celulares se mantém

Uma pesquisa realizada na Universidade de Oslo, na Noruega, submeteu camundongos ao treinamento de força por 3 meses, seguidos de semanas de interrupção da atividade.
Após a interrupção, constatou-se que os ganhos decorrentes dos miócitos, obtidos no período anterior de treinamento, se mantiveram por 3 meses, tempo considerável levando em conta que a expectativa de vida do animal é de apenas 2 anos.
Com esse estudo, foi descoberto que, mesmo sem a utilização destas células, por longos períodos, elas não morrem, apenas diminuem de tamanho.
Tipos de memória muscular?
Existem dois tipos de memória muscular, a memória muscular relacionada a movimentos primários aprendidos na infância como, por exemplo, andar de bicicleta e a memória muscular fisiológica, através dos miócitos.
Memorização de movimentos (memória do cerebelo)

Embora chamada de muscular, essa memória é regida pelo cerebelo, onde um conjunto de neurônios consegue se “recordar” de um movimento já conhecido para que possa repeti-lo no futuro.
O cérebro, em seguida, gradualmente concentra mais energia na ação correta e a armazena em sua memória de longo prazo.
Uma vez que ele foi armazenado, então você precisa usar menos do cérebro para repeti-lo, que é quando o movimento fica mais natural.
Quando movemos, ativamos sensores chamados preceptores nos músculos, tendões e articulações são alimentadas pelo sistema nervoso central, ou seja, o corpo está aprendendo a interpretar todos esses movimentos e sentidos.
A partir dos receptores dentro da articulação ou os receptores da pele, toda a informação está sendo alimentada de volta para o cérebro em relação ao sucesso.
Para investigar o fenômeno da memorização dos movimentos, foi feito um estudo na Universidade de Manchester que pedia aos sujeitos de teste que repetissem movimentos enquanto realizavam uma ressonância magnética.
O que os cientistas descobriram enquanto as pessoas tentavam reproduzir essas tarefas de movimento, é que a atividade cerebral muda de acordo com o movimento.
Concluiu-se assim, que se obtém uma atividade muito maior nas áreas do cérebro que controlam aspectos inconscientes do movimento e da propriocepção (percepção do próprio corpo).
Você pode não perceber, mas o cérebro está constantemente criando “memórias musculares”.
Memória do músculo (fisiológica)

Células musculares possuem em seu interior uma série de núcleos, estruturas que estão diretamente envolvidas no processo de síntese de proteínas.
O primeiro efeito que o treinamento resistido com peso têm sobre a musculatura, não é fazer o músculo crescer e sim formar mais núcleos celulares que, por sua vez, vão estimular a produção de mais fibras musculares.
Caso essas células tivessem apenas um núcleo, como ocorre com a quase totalidade das células do corpo humano, as fibras poderiam sintetizar apenas uma pequena quantidade de proteínas.
Logo, para crescer, uma célula muscular precisa de uma boa quantidade de núcleos, característica que pessoas que treinaram durante anos possuem e, mesmo que paralisem os treinos por um período não perderão.
Como o treinamento induz mudanças fisiológicas permanentes nos núcleos celulares e fibras musculares

O treinamento muscular é mais fácil para uma mulher que fez 2 anos de musculação do uma que nunca tocou em um haltere.
Ao retomar o treinamento, os músculos são capazes de crescer rapidamente em tamanho, porque o estágio inicial de adicionar núcleos é ignorado e, com núcleos formados, ocorre mais facilmente o crescimento muscular.
Um fato curioso que ocorre no atletismo, é a oposição do retorno de atletas pegos em exames antidoping, pelo fato do benefício que eles teriam em relação a memória muscular.
Núcleos facilitados pelo doping permanecem, fazendo com que ao retornarem limpos, eles levem vantagem em relação aos outros atletas.
Memória muscular e sua impressionante longevidade
Existe uma relação entre a memória muscular e a idade da pessoa. É impressionante a quantidade de tempo que o cérebro mantém a memória muscular.
Quando jovem, se consegue criar uma memória muscular de maneira mais rápida, já que o organismo está a todo vapor e a formação de núcleos é maior. Por isso, se quando ainda jovens fizermos exercícios a memória muscularficará ali até chegarmos em uma idade mais avançada.
Conclusão
O treinamento resistido de força produz inúmeras vantagens que vão muito além das questões estéticas.
Sempre que você ouvir aquela frase “ – Musculação é um esporte ingrato”, devido a prejuízos estéticos, de força e resistência em decorrência de um período de inatividade, lembre-se da memória muscular e verá que não é tão ingrato assim.
Outro fator a considerar, é a importância da boa alimentação. Um bom aporte de macro e micronutrientes, obtidos através da alimentação e suplementação, poderão proporcionar uma recuperação estética e fisiológica ainda mais rápida.
Se você está voltando aos treinos depois de um período parada, a memória muscular é sem dúvida uma boa notícia, não é mesmo? Agora, mão a obra ou, melhor, mãos ao “ferro”!
FONTE: https://geracaofit.com/









































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